3 February 2010
Tags: emmigration, migrations, Portugal
Isto é um tema naturalmente caro para mim e por isso o artigo Movimento emigratório actual comparado ao da década de 60 do Público de hoje chamou-me imediatamente a atenção.
3 pontos:
- A emigração de Portugueses está a subir a níveis das grandes ondas dos anos 60
- A nova emigração é para estudos (Erasmus) e muito mais qualificada (a tal fuga de cérebros) ou até “patrocinada” por empresas que se querem estabelecer noutros países
- A nova emigração tem como alvo principal a UE por causa do espaço Schengen e voos low cost que permitem voltar ao país com grande frequência
A notícia apontam novos institutos e clusters como formas de prender os cérebros (já não chegaria ao ponto de dizer atrair outros), mas enquanto o nosso nível de vida for significativamente mais baixo que os parceiros Europeus e não houver uma carreira de investigação, esta onda não vai acalmar tão cedo.
Quem ganha ? As elites (políticas e empresariais) que continuam a pagar pouco. Quem perde ? O país, porque por cada “cérebro” que sai a perda é dupla, não melhora o país e melhora o país de acolhimento, aumentando assim a disparidade.
14 October 2009
Tags: abstention, emmigration, Portugal, votes
É claro que a abstenção nos círculos fora de Portugal não foi muito falada. As pessoas já estão tão chocadas com os 40% de abstenção interna (ou deviam estar) que nem pensam no que uns emigrados vão votar.
Pois bem, a abstenção fora de Portugal foi acima de 90% !!!
A parte mais interessante é que Paris por exemplo era, há algum tempo, a cidade com mais Portugueses do Mundo. Não vou entrar em discussões (por agora) acerca do peso do voto para pessoas que estão mais ou menos desligadas do País em si. Mas o que é facto é que para além de toda a massa de emigrantes, agora temos uma nova onda de emigração, gente com 20 e 30 anos e com qualificações elevadas. Também poderíamos falar das pessoas que estavam em férias no período das eleições, mas suspeito que isso seja uma margem pequena.
Dito isto, soluções ?
1. Simplificar o processo de mudança de local de voto. (ex. os Alemães que conheço todos votaram e para isso bastou terem ido à sua “Junta de Freguesia” e dizerem que íam estar numa morada noutro país.) Actualmente o processo para um Português a residir fora de Portugal é registar-se na Embaixada pelo menos 3 MESES ANTES e depois poderá eventualmente votar, sendo que as embaixadas funcionam no mesmo horário em que as pessoas trabalham.
2. O voto electrónico. Isto já é famoso, já foi testado, funciona, mas por algum mistério não o colocam em funcionamento. Ainda no outro dia ouvi um Estónio (país da Europa de Leste que terá cerca de metade do tamanho de Portugal e só agora entrou para a UE) a dizer com cara de gozo que “nos países civilizados isso já era uma realidade” (vulgo na Estónia). Ele disse isto a brincar, mas é uma realidade. Se queremos internacionalização de empresas e pessoas, então temos que dar condições a essas pessoas para se poderem exprimir democraticamente também.