Quarenta mil idosos passam fome em Portugal
Não vou hoje entrar na discussão sobre as pensões ridiculamente baixas que se atribuem mensalmente a pessoas que trabalharam toda a sua vida. Particularmente em comparação com subsídios de desemprego para gente que não aceita nenhum trabalho ou as reformas superiores ao salário no activo que se verificam muitas vezes.
Muitos idosos passam fome em Portugal. Porquê ?
1. Pensões baixas
2. Falta de rede social de apoio (quem lhes leve alimentos/compras ou quem lhes indique o que devem comer para a sua idade)
3. Nos supermercados o que é mais barato comprar é tipicamente o menos saudável
São três frentes a atacar. É um problema difícil de resolver. Passa por informação pelos media acerca de alimentação saudável por intervalo de idades. Passa por subir as pensões até valores dignos para se viver e não sobreviver. E passa por passar leis que obriguem os grandes distribuidores a, pelo menos, pôr os alimentos saudáveis e não saudáveis em pé de igualdade em termos de preços.
outra frente a atacar: atribuição da pensão de sobrevivência tendo em conta o rendimento dos filhos – se estes não ligam patavina ao idoso mas ganham “bem”, resulta que este recebe…. zero e morre à fome.
bonito não é?….
os idosos passam fome em portugal porque a maioria deles nunca pensou no futuro e na reforma.
Assim, mais uma vez cabe ao contribuinte matar a fome a quem nao acautelou o seu futuro.
Efectivamente é um problema que tem de ser resolvido(infelizmente).
Nelson, a minha mãe tem uma doença crónica incurável que a atingiu há quase 30 anos (tem ela 66 neste momento) – doença essa (esclerose múltipla) que não lhe permite trabalhar, tal é a debilitação que esta causa.
não tendo, por isso, descontos na segurança social que assegurem uma reforma e tendo uma filha que, segundo o Estado, está podre de rica, ela tem direito a ZERO cêntimos de pensão de sobrevivência. ela vive comigo e sou eu que a “sustento”.
foi ela que não acautelou o seu futuro, ou algo está errado aqui? (em comparação com o acumular obsceno de reformas de muitos políticos e altos cargos que praí andam, que ainda roubam se fôr preciso, para ajudar ainda mais à conta bancária…..)
Ola buggy,
A tua mae acautelou bem o futuro dela. Afinal de contas nao passa fome, pois nao?
Acautelar o futuro, pode nao passar apenas por ter dinheiro num banco.
Existem excepções a regra, eu sei, e por isso nao disse “todos”, disse a “maioria”.
Quanto as reformas obscenas dos politicos, isso sim, precisava de uma reforma a sério…
Mas não estou a ver isso a acontecer tão cedo.
Não passa fome, graças a mim, por um conjunto de razões que não vêm ao caso. Ter um filho não é sinónimo de futuro acautelado, nem coisa que se pareça….
@Nelson, percebo o ponto de vista que estás a defender e a ser advogado do diabo. É um facto que há muita gente em má situação hoje,a viver de subsídios do Estado (pagos pelos contribuintes) porque não sabem pensar a médio ou longo prazo. Creio que isso é algo que o Estado e a escola deve ter como obrigação ensinar, sim porque o planeamento não é algo com que nós claramente nasçamos.
Por outro lado, o ponto de vista que defendes tem uma falha. O 25 de Abril, que fez “tabula raza” a muitas coisas e se por um lado permitiu a mulheres que nunca trabalharam fora da sua casa de repente terem empregos “há anos”, também fez com que gente trabalhadora na indústria ou subjugada em escritórios acabasse com reformas miseráveis, mesmo tendo seguido todos os trâmites legais. É contra essas pensões miseráveis que falo e em particular pela comparação com os excessos que se vêm nas notícias diariamente.
@buggy, lamento por saber da tua mãe. Não percebi se defendes ou não pensões associadas ao rendimento do agregado familiar. Pessoalmente acho justo. Claro que seria melhor ser independente disso, mas não creio que haja dinheiro para todos… Quanto a “obrigar” o agregado a suportar uma outra pessoa, bem, isso é outro problema complicado… :/
Obrigado pelos vossos comentários. Na discussão se aprende.
o que eu defendo é que há muitos idosos com histórias parecidas à da minha mãe cujos filhos não lhes dão lar nem assistência e, como os filhos ganham “bem” (e este bem é muito, muito relativo), o Estado também não.
o Estado, no fundo, defende que o filho tem de assegurar a subsistência do progenitor, mas não o obriga a tal, deixando o idoso totalmente desprotegido.
ou o Estado assume que os filhos podem e devem tratar dos pais e, em casos de “abandono”, retira uma pensão de subsistência aos rendimentos dos ditos, ou o Estado assume a sobrevivência de idosos “abandonados” independentemente dos rendimentos dos filhos.
da maneira como estamos, estamos mal.
e o tal ganhar “bem” é um bocado relativo. porque eu, para além da minha mãe, tenho dois filhos. e não recebo subsídio nenhum, o que significa que infantário e escola, saem-me do bolso, a casa (que tem de ter um quarto extra para albergar a minha mãe) também, etc etc… portanto se fizessem bem as contas à taxa de esforço, se calhar percebiam que não sou assim tão abastada.
mas eu não me queixo, conseguimos todos juntos viver em condições só à custa do que nós mesmos ganhamos e até acho que assim deveria ser.
o que me irrita é saber que há muito boa gente neste país com brutas vivendas, a declarar o salário mínimo e, com isso, receber todos os subsídios e mais alguns que me saem do meu bolso de contribuinte.
oh well… vidas!
@buggy, Concordo contigo. Ou sim ou sopas. Se os filhos ajudam os pais, deve haver algum dinheiro para os ajudar nessa tarefa. Se não os ajudam, não devem receber nada. “Obrigar” a ajudar, julgo que infelizmente é impossível…
acho o mesmo