É oficial ! Estamos esquizofrénicos ! Logo nós, um povo “de brandos costumes” !
Chegamos a Junho e, parecendo que finalmente chegou o tempo de Verão, eis que faz sol e chove desalmadamente no próprio dia, só para secar tudo ao sol logo a seguir ! E este tempo tropical em conjunto com a já conhecidíssima “conjuntura” (palavra que serve para tudo hoje em dia), faz com que existam capas como a que vemos à esquerda. Num momento estamos eufóricos, como se tivéssemos já ganho o campeonato do Mundo e arredores, transformando, como habitualmente, os jogadores de bestiais a bestas e vice versa. No momento seguinte vamos a correr para as bombas de gasolina, fazemos piquetes, juntamos greves, porque a crise chegou de facto ao bolso dos Portugueses, muito directamente, pobres e ricos.
Esquizofrénicos e sensíveis, porque basta o Presidente da República, numa tentativa de enxotar jornalistas irritantes dizer que queria celebrar o dia da raça, que cai o Carmo e a Trindade por causa dos coitadinhos dos imigrantes e das comunidades (ignorando o facto de serem vistos e tratados como coitadinhos diariamente nas ruas e não por uma afirmação menos conseguida). Cavaco nunca teve grande jeito para as palavras, já se viu isso, e realmente usar uma expressão que era usada no Estado Novo dá mau aspecto, mas daí a empolar o que se empolou, particularmente porque ele disse “dia da raça, de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas” … 8|
Mas se ganhamos 3-1 à República Checa e toda a gente vem para a rua com orgulho nacional (aproveitando o bom tempo ao pé da praia), logo nos viramos para um Governo em que Sócrates admite que sentiu “o Estado vulnerável” durante a paralisação dos camionistas.
Pois isso leva, como seria de esperar, a alguns actos populistas para acalmar os ânimos. O mais recente exemplo é manter inalteradas as portagens nas pontes 25 de Abril e Vasco da Gama. Apesar de terem sido condenados pelo Tribunal Europeu a pagar multa porque é exigida a subida do IVA para 20 por cento nas portagens destas duas pontes, mantém a conversa e não sobem. Ora as pontes ou se pagam ou não se pagam, não há aqui meias tintas ! Para além disso há uma razão para a UE exigir isto: concorrência justa. Mas já todos percebemos pelos contratos milionários e de dezenas de anos que a LusoPonte tem uma relação especial com os nossos impostos.
Está tudo louco ! E promete ser um Verão “quente e seco”.