A semana dos 5000000000000 de horas
Yikes ! (como diria um bom americano). A União Europeia e os povos Europeus estão a enfrentar uma fase um bocadinho difícil, não posso dizer muito porque é provavelmente a zona da Terra onde se tem melhor qualidade de vida. Mas o Chineses andam a aldrabar as regras do jogo e como eles os restantes asiáticos. Já para não falar dos Americanos que vivem para trabalhar e não trabalhar para viver. Alguns exemplos: férias no Japão (8 dias por ano), férias nos EUA (15 dias por ano). Isto para não falar de nações menos desenvolvidas que nem sequer esboçam o conceito !
Na era da tecnologia e da robotização, os políticos tendem a pensar que os seus conterrâneos são mesmo isso: robôs. O resultado é esta notícia: Ministros europeus chegam a acordo para prolongar semana de trabalho até às 65 horas. Com a capa da flexisegurança e de ser apenas uma forma de “permitir” que os empregadores combinem com os empregados quando for preciso dar um extra em alturas de maior stress, isto não é mais do que uma carta branca para todos e quaisquer abusos patronais, voltando ao que tínhamos na altura do Salazar.
Não sou adepto da conversa “direitos dos trabalhadores” e “não mexo mais uma palha nem que o resto do país páre, porque ficou assim decidido no 25 de Abril”. Acho que há muitos sindicatos que à custa dessa conversa levam muita gente a fazer menos do que devia. Mas uma semana de 65 horas significa 13 horas por dia ! (ou ~9.3 horas por dia se trabalharmos ao sábado e domingo).
Este tipo de abordagem é estúpido porque:
1. Ninguém consegue ficar concentrado e fazer qualquer trabalho que seja com qualidade a trabalhar 13 por dia, nem que isso seja por um período especificado de tempo.
2. As pessoas não vão ganhar mais por isso, porque assumindo que 65 horas podem ser “acordadas”, o que deveria ser pago como “extra” passa a ser pago ao preço normal da hora de trabalho da pessoa.
3. As pessoas que entrarem nesse esquema vão rapidamente entrar em esgotamento. Isto é: depressão, alterações psíquicas do tipo que levam pessoas a disparar sobre tudo o que vêm à frente, perda quase total capacidade de pensar e toda a consequente destruição de famílias (as poucas que ainda se mantém), de relações pessoais e profissionais e do simples contacto com outras pessoas na rua (se já fizeram uma directa sabem da irritabilidade de que estou a falar).
4. Finalmente, porque se assume que este tipo de compromissos entre empregador e empregado é feito sem coacção, o que é uma assumpção errada, pois o argumento “então despeço-te e arranjo outra pessoa que o faça” é muito forte numa altura em que há tanto desemprego.
Se o mundo está a marchar a ritmo de escravidão porque é que nós, europeus e parcialmente criadores deste regime de mercado livre, também temos de marchar ? Porque não fazer alterações ao regime em si ?
boas perguntas! também não estou a conseguir compreender estas decisões…
Devias ser ministro do emprego.
Quando tiveres as respostas às tuas perguntas, partilha-as.
Respondendo com clichés: “Só sei que nada sei.” e “No meio é que está a virtude”. Se formos a ver os países mais desenvolvidos e que se estão a dar melhor em termos de qualidade de vida são so Nórdicos que fizeram o quê ? Capitalismo, sim senhor, mas um capitalismo social. Em que o Estado existe e age, mas não chega ao ridículo de Chavez e companhias comunistas a la Estaline com opressão sobre o povo.